sábado, 2 de maio de 2009

Cachorro


Esse título acima, é minha grande paixão. Eu seria veterinária se não fosse fresca, mas como desmaio ao ver qualquer pessoa ou animal sofrendo, vou ser bibliotecária (haha, tuudo a ver). Mas enfim, venho aqui com o total intuito de desabafo. Na madrugada de quarta para quinta, acordo com barulhos vindo da garam e com um dos meus cachorros latindo, acordei meu pai pra irmos ver o que acontecia. Não quero expor e reviver aquele momento, mas resumo: meu cachorro passou mal, espumou, caiu e respirou com dificuldades, tudo isso em menos de 10 minutos, levamos ele para a veterinária quase insconsciente, às 6h da manhã. Foi horrível, a pior cena que já vi e que mais abalou. Às 8h meu pai liga e nos comunica que o Banzé, com apenas dois anos, morreu. Aquele cachorrinho que encontrei na praia e botei 'milagrosamente' dentro do meu pátio, sob o risco de ser devorado pela Musa (minha outra cadela) e de quase fazer com que minha mãe tenha um ataque por ver mais um cachorro. Banzé conseguiu a proeza de ser aprovado pela Musa (!!!), pelo meu pai, pela minha mãe, pelo Sig e pelo Mancha. Ficou com nós durante dois anos e nos trouxe inúmeras alegrias, nunca incomodou, nunca fugiu, nunca ficou doente. E quando vê, do nada, morre.

Não sabemos ainda o motivo, meu pai levou o corpo dele para a veterinária da UFRGS fazer necropsia. Se for envenamento, vai me doer, como podem fazer maldade tamanha? A casa ficou estranha sem ele, a Musa ficou sozinha, nós ficamos sozinhos. Porém, sabemos que proporcionamos a ele uma vida feliz, só de olhar pro banzé dava pra ver que ele era feliz.

Termino esse post dando uma dica: amem seus bichinhos, a capacidade que eles têm de fazer com que sejamos pessoas melhores e mais alegres é incrível. Faço também minhas as palavras de Marquês de Maricá: "ninguém pode se queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão."

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Insista - Fabrício Carpinejar

Sempre insista. Fale mais do que seja possível pensar. Insista. Temos que ter a capacidade de superar as resistências. Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista. Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante. Comece a rir sozinha. Rir é receber a pergunta: o que você está rindo? Rir é ser perguntado. Não há motivo para rir, rir é se abraçar. Minha risada é meu gemido público. Acordar me deixa excitado.

Talvez aquela amiga não queira namorá-lo para não estragar a amizade. Portanto, diga: quero hoje estragar nossa amizade. Estragar de jeito. Arruinar nossa amizade. Corromper nossa amizade.

Estrague fundo, o amor pode estar recolhido nela. Mas não aceite tão rápido o que ela não acredita. É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído, porque a verdade quando surge faz atitudes impensadas, como comer algodão-doce nesta terça-feira diante de uma escola de normalistas. Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca. Deus é uma freira dirigindo um fusca. Tenho saudades de me exibir cortando laranjas. As tiras simétricas, os cabelos loiros da laranjeira. Tenho saudade de passear com a minha laranjeira.

Não se explique, insista. Eu não vou ficar esperando alguém me salvar. Eu mesmo me salvo. Eu mesmo me arrumo para a loucura.

Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca. Caso tenha prometido ir atrás dele, vá. Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa. Volte atrás, não queria pensar com os olhos, a boca são olhos mais atentos.

Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado. Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele.

Seja o erro mais contundente da vida dele. Seja a vida do seu erro, para ele errar mais seguido.

Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso. Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista. Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, sentar no meio-fio e falar aramaico. Todo homem guardado uma hora fala aramaico. Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto.

A vida mete medo quando ela não é formalidade, não temos como nos defender do que parte dos dentes. Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo, deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar.

Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão.

Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista. Na sala do dentista, no trem, no ônibus, no elevador. Insista. O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade. Não há nada íntimo que não tenha sido estranho um dia. Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro do prédio, com a colega. Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por empréstimo. Ame devendo. Ame falindo.

Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores. Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista.
Estou cansado de me defender - sou só ataque. Insisto.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Descomplique!

Uma coisa que não entendo: às vezes me questiono porque as pessoas complicam, se tudo parece ser relativamente simples. Mas, virando a esquina, ali onde o vento faz a curva, me pego - eu mesma - complicando.
Pois é, certas coisas são simples demais pra mim, só depende dos outros, mas por outro lado, outras pessoas esperam que eu descomplique para elas. Porque tudo é assim? No fundo, é tudo uma questão de permitir-se, deixar que aconteça, fazer um gesto que mude, perder o medo e deixar ver no que vai dar.
Mas em vão, resolvemos nos prender, esperando que o coleguinha ao lado descomplique para nós, ou que continuemos ali parados, esperando e insistindo.
Não adianta pensarmos na complexidade que passa na cabeça ao lado, tentando mudar certas situações, e sim desenrolar o que nós mesmos enozamos. Acho que a probabilidade das coisas darem certo aumentam.

Dica do dia para mim mesma: Carla, permita-se.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Isso é muita sabedoria.

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

Clarice Lispector

domingo, 9 de novembro de 2008

Tão morno.

Ei, pode levar esse resto, essa passividade e essa normalidade?
Por favor, em troca disso, me vê um pouco de loucura, um pouco de intensidade, um pouco de excesso, um pouco de coragem, um pouco de paixão, um pouco de caos, um pouco de emoção e um pouco de muito?

domingo, 2 de novembro de 2008

Tudo é tanto.

E essa vontade de querer o que não se quer, de ter o que não se tem. E essa luta constante de sossegar o coração e quando se tem a oportunidade, não se quer mais. E sempre essa vontade, uma vontade que nasce não se sabe onde e morre não se sabe porque pra logo mais nascer de novo.
Vontade, vontade, vontade. Elas chegam assim, como tempestades.